domingo, 21 de fevereiro de 2016

CAPÍTULO V / EM QUE APARECE A ORELHA DE UMA SENHORA



Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas


CAPÍTULO V / EM QUE APARECE A ORELHA DE UMA SENHORA





Senão quando, estando eu ocupado em preparar e apurar a minha invenção, recebi em cheio um golpe de ar; adoeci logo, e não me tratei. Tinha o emplasto no cérebro; trazia comigo a idéia fixa dos doidos e dos fortes. Via-me, ao longe, ascender do chão das turbas, e remontar ao Céu, como uma águia imortal, e não é diante de tão excelso espetáculo que um homem pode sentir a dor que o punge. No outro dia estava pior; tratei-me enfim, mas incompletamente, sem método, nem cuidado, nem persistência; tal foi a origem do mal que me trouxe à eternidade. Sabem já que morri numa sexta-feira, dia aziago, e creio haver provado que foi a minha invenção que me matou. Há demonstrações menos lúcidas e não menos triunfantes.
Não era impossível, entretanto, que eu chegasse a galgar o cimo de um século, e a figurar nas folhas públicas, entre macróbios. Tinha saúde e robustez. Suponha-se que, em vez de estar lançando os alicerces de uma invenção farmacêutica, tratava de coligir os elementos de uma instituição política, ou de uma reforma religiosa. Vinha a corrente de ar, que vence em eficácia o cálculo humano, e lá se ia tudo. Assim corre a sorte dos homens.
Com esta reflexão me despedi eu da mulher, não direi mais discreta, mas com certeza mais formosa entre as contemporâneas suas, a anônima do primeiro capítulo, a tal, cuja imaginação à semelhança das cegonhas do Ilisso... Tinha então 54 anos, era uma ruína, uma imponente ruína. Imagine o leitor que nos amamos, ela e eu, muitos anos antes, e que um dia, já enfermo, vejo-a assomar à porta da alcova...






Links


Sanderlei Silveira

Obra completa de Machado de Assis

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

O Diário de Anne Frank

Educação Infantil

Bíblia Online

História e Geografia

Casa do Sorvete

Sanderlei Silveira

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Santa Catarina - História e Geografia

Paraná - História e Geografia

Mato Grosso do Sul - História e Geografia

São Paulo - História e Geografia

Mário de Andrade - Macunaíma

Adolf Hitler - Mein Kampf

Adolf Hitler - Mein Kampf Download

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis - Esaú e Jacó

Elizabeth Barrett Browning - Sonnet 43 - How Do I Love Thee?

Revisão de Inglês em 2 Horas - Básico e Intermediário

O espaço geográfico e sua organização

Biomas brasileiros

As festas populares no estado de São Paulo

Augusto dos Anjos - Vandalismo

Gonçalves Dias - Marabá

O Diário de Anne Frank - Download

Assalto - Carlos Drummond de Andrade

Os símbolos do estado e do município (SP)

Developer - Treinamento, Manuais, Tutoriais

TOTVS - Datasul - Progress - EMS2

sábado, 20 de fevereiro de 2016

CAPÍTULO IV / A IDÉIA FIXA


Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas



CAPÍTULO IV / A IDÉIA FIXA





A minha idéia, depois de tantas cabriolas, constituíra-se idéia fixa. Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho. Vê o Cavour; foi a idéia fixa da unidade italiana que o matou. Verdade é que Bismarck não morreu; mas cumpre advertir que a natureza é uma grande caprichosa e a história uma eterna loureira. Por exemplo, Suetônio deu-nos um Cláudio, que era um simplório, — ou “uma abóbora” como lhe chamou Sêneca, e um Tito, que mereceu ser as delícias de Roma. Veio modernamente um professor e achou meio de demonstrar que dos dois césares, o delicioso, o verdadeiro delicioso, foi o “abóbora” de Sêneca. E tu, madama Lucrécia, flor dos Bórgias, se um poeta te pintou como a Messalina católica, apareceu um Gregorovius incrédulo que te apagou muito essa qualidade, e, se não vieste a lírio, também não ficaste pântano. Eu deixo-me estar entre o poeta e o sábio.
Viva pois a história, a volúvel história que dá para tudo; e, tornando à idéia fixa, direi que é ela a que faz os varões fortes e os doidos; a idéia móbil, vaga ou furta-cor é a que faz os Cláudios, — fórmula Suetônio.
Era fixa a minha idéia, fixa como... Não me ocorre nada que seja assaz fixo nesse mundo: talvez a lua, talvez as pirâmides do Egito, talvez a finada dieta germânica. Veja o leitor a comparação que melhor lhe quadrar, veja-a e não esteja daí a torcer-me o nariz, só porque ainda não chegamos à parte narrativa destas memórias. Lá iremos. Creio que prefere a anedota à reflexão, como os outros leitores, seus confrades, e acho que faz muito bem. Pois lá iremos. Todavia, importa dizer que este livro é escrito com pachorra, com a pachorra de um homem já desafrontado da brevidade do século, obra supinamente filosófica, de uma filosofia desigual, agora austera, logo brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem regala, e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado.
Vamos lá; retifique o seu nariz, e tornemos ao emplasto. Deixemos a história com os seus caprichos de dama elegante. Nenhum de nós pelejou a batalha de Salamina, nenhum escreveu a confissão de Augsburgo; pela minha parte, se alguma vez me lembro de Cromwell, é só pela idéia de que Sua Alteza, com a mesma mão que trancara o parlamento, teria imposto aos ingleses o emplasto Brás Cubas. Não se riam dessa vitória comum da farmácia e do puritanismo. Quem não sabe que ao pé de cada bandeira grande, pública, ostensiva, há muitas vezes várias outras bandeiras modestamente particulares, que se hasteiam e flutuam à sombra daquela, e não poucas vezes lhe sobrevivem? Mal comparando, é como a arraia-miúda, que se acolhia à sombra do castelo feudal; caiu este e a arraia ficou. Verdade é que se fez graúda e castelã... Não, a comparação não presta.





Links


Sanderlei Silveira

Obra completa de Machado de Assis

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

O Diário de Anne Frank

Educação Infantil

Bíblia Online

História e Geografia

Casa do Sorvete

Sanderlei Silveira

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Santa Catarina - História e Geografia

Paraná - História e Geografia

Mato Grosso do Sul - História e Geografia

São Paulo - História e Geografia

Mário de Andrade - Macunaíma

Adolf Hitler - Mein Kampf

Adolf Hitler - Mein Kampf Download

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis - Esaú e Jacó

Elizabeth Barrett Browning - Sonnet 43 - How Do I Love Thee?

Revisão de Inglês em 2 Horas - Básico e Intermediário

O espaço geográfico e sua organização

Biomas brasileiros

As festas populares no estado de São Paulo

Augusto dos Anjos - Vandalismo

Gonçalves Dias - Marabá

O Diário de Anne Frank - Download

Assalto - Carlos Drummond de Andrade

Os símbolos do estado e do município (SP)

Developer - Treinamento, Manuais, Tutoriais

TOTVS - Datasul - Progress - EMS2

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

CAPÍTULO III / GENEALOGIA



Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

CAPÍTULO III / GENEALOGIA





Mas, já que falei nos meus dois tios, deixem-me fazer aqui um curto esboço genealógico.
O fundador da minha família foi um certo Damião Cubas, que floresceu na primeira metade do século XVIII. Era tanoeiro de ofício, natural do Rio de Janeiro, onde teria morrido na penúria e na obscuridade, se somente exercesse a tanoaria. Mas não; fez-se lavrador, plantou, colheu, permutou o seu produto por boas e honradas patacas, até que morreu, deixando grosso cabedal a um filho, licenciado Luís Cubas. Neste rapaz é que verdadeiramente começa a série de meus avós — dos avós que a minha família sempre confessou, — porque o Damião Cubas era afinal de contas um tanoeiro, e talvez mau tanoeiro, ao passo que o Luís Cubas estudou em Coimbra, primou no Estado, e foi um dos amigos particulares do vice-rei Conde da Cunha.
Como este apelido de Cubas lhe cheirasse excessivamente a tanoaria, alegava meu pai, bisneto de Damião, que o dito apelido fora dado a um cavaleiro, herói nas jornadas da África, em prêmio da façanha que praticou, arrebatando trezentas cubas aos mouros. Meu pai era homem de imaginação; escapou à tanoaria nas asas de um calembour. Era um bom caráter, meu pai, varão digno e leal como poucos. Tinha, é verdade, uns fumos de pacholice; mas quem não é um pouco pachola nesse mundo? Releva notar que ele não recorreu à inventiva senão depois de experimentar a falsificação; primeiramente, entroncou-se na família daquele meu famoso homônimo, o capitão-mor, Brás Cubas, que fundou a vila de São Vicente, onde morreu em 1592, e por esse motivo é que me deu o nome de Brás. Opôs-se-lhe, porém, a família do capitão-mor, e foi então que ele imaginou as trezentas cubas mouriscas.
Vivem ainda alguns membros de minha família, minha sobrinha Venância, por exemplo, o lírio do vale, que é a flor das damas do seu tempo; vive o pai, o Cotrim, um sujeito que... Mas não antecipemos os sucessos; acabemos de uma vez com o nosso emplasto.




Links


Sanderlei Silveira

Obra completa de Machado de Assis

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

O Diário de Anne Frank

Educação Infantil

Bíblia Online

História e Geografia

Casa do Sorvete

Sanderlei Silveira

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Santa Catarina - História e Geografia

Paraná - História e Geografia

Mato Grosso do Sul - História e Geografia

São Paulo - História e Geografia

Mário de Andrade - Macunaíma

Adolf Hitler - Mein Kampf

Adolf Hitler - Mein Kampf Download

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis - Esaú e Jacó

Elizabeth Barrett Browning - Sonnet 43 - How Do I Love Thee?

Revisão de Inglês em 2 Horas - Básico e Intermediário

O espaço geográfico e sua organização

Biomas brasileiros

As festas populares no estado de São Paulo

Augusto dos Anjos - Vandalismo

Gonçalves Dias - Marabá

O Diário de Anne Frank - Download

Assalto - Carlos Drummond de Andrade

Os símbolos do estado e do município (SP)

Developer - Treinamento, Manuais, Tutoriais

TOTVS - Datasul - Progress - EMS2

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

CAPÍTULO II / O EMPLASTO



Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas


CAPÍTULO II / O EMPLASTO




Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se-me uma idéia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.
Essa idéia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído, do cartaz, do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me argúam esse defeito; fio, porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis. Assim, a minha idéia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro lado, sede de nomeada. Digamos: — amor da glória.
Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava dizer que o amor da glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Ao que retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria, que o amor da glória era a coisa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, conseguintemente, a sua mais genuína feição.
Decida o leitor entre o militar e o cônego; eu volto ao emplasto.



Links


Sanderlei Silveira

Obra completa de Machado de Assis

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

O Diário de Anne Frank

Educação Infantil

Bíblia Online

História e Geografia

Casa do Sorvete

Sanderlei Silveira

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Santa Catarina - História e Geografia

Paraná - História e Geografia

Mato Grosso do Sul - História e Geografia

São Paulo - História e Geografia

Mário de Andrade - Macunaíma

Adolf Hitler - Mein Kampf

Adolf Hitler - Mein Kampf Download

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis - Esaú e Jacó

Elizabeth Barrett Browning - Sonnet 43 - How Do I Love Thee?

Revisão de Inglês em 2 Horas - Básico e Intermediário

O espaço geográfico e sua organização

Biomas brasileiros

As festas populares no estado de São Paulo

Augusto dos Anjos - Vandalismo

Gonçalves Dias - Marabá

O Diário de Anne Frank - Download

Assalto - Carlos Drummond de Andrade

Os símbolos do estado e do município (SP)

Developer - Treinamento, Manuais, Tutoriais

TOTVS - Datasul - Progress - EMS2

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR


Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas


CAPÍTULO PRIMEIRO / ÓBITO DO AUTOR






Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que
o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado.”
Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido. Viram-me ir umas nove ou dez pessoas, entre elas três senhoras, minha irmã Sabina, casada com o Cotrim, a filha, — um lírio do vale, — e... Tenham paciência! daqui a pouco lhes direi quem era a terceira senhora. Contentem-se de saber que essa anônima, ainda que não parenta, padeceu mais do que as parentas. É verdade, padeceu mais. Não digo que se carpisse, não digo que se deixasse rolar pelo chão, convulsa. Nem o meu óbito era coisa altamente dramática... Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos, não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia. E dado que sim, o que menos convinha a essa anônima era aparentá-lo. De pé, à cabeceira da cama, com os olhos estúpidos, a boca entreaberta, a triste senhora mal podia crer na minha extinção.
— “Morto! morto!” dizia consigo.
E a imaginação dela, como as cegonhas que um ilustre viajante viu desferirem o vôo desde o Ilisso às ribas africanas, sem embargo das ruínas e dos tempos, — a imaginação dessa senhora também voou por sobre os destroços presentes até às ribas de uma África juvenil... Deixá-la ir; lá iremos mais tarde; lá iremos quando eu me restituir aos primeiros anos. Agora, quero morrer tranqüilamente, metodicamente, ouvindo os soluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva que tamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e
o som estrídulo de uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à porta de um correeiro. Juro-lhes que essa orquestra da morte foi muito menos triste do que podia parecer. De certo ponto em diante chegou a ser deliciosa. A vida estrebuchava-me no peito, com uns ímpetos de vaga marinha, esvaía-se-me a consciência, eu descia à imobilidade física e moral, e o corpo fazia-se-me planta, e pedra e lodo, e coisa nenhuma.
Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma idéia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.




Links


Sanderlei Silveira

Obra completa de Machado de Assis

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

O Diário de Anne Frank

Educação Infantil

Bíblia Online

História e Geografia

Casa do Sorvete

Sanderlei Silveira

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Santa Catarina - História e Geografia

Paraná - História e Geografia

Mato Grosso do Sul - História e Geografia

São Paulo - História e Geografia

Mário de Andrade - Macunaíma

Adolf Hitler - Mein Kampf

Adolf Hitler - Mein Kampf Download

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis - Esaú e Jacó

Elizabeth Barrett Browning - Sonnet 43 - How Do I Love Thee?

Revisão de Inglês em 2 Horas - Básico e Intermediário

O espaço geográfico e sua organização

Biomas brasileiros

As festas populares no estado de São Paulo

Augusto dos Anjos - Vandalismo

Gonçalves Dias - Marabá

O Diário de Anne Frank - Download

Assalto - Carlos Drummond de Andrade

Os símbolos do estado e do município (SP)

Developer - Treinamento, Manuais, Tutoriais

TOTVS - Datasul - Progress - EMS2

Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas Memórias Póstumas




Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas







Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas
Publicado originalmente em folhetins, a partir de março de 1880, na Revista Brasileira.


Ao verme

que

primeiro roeu as frias carnes

do meu cadáver

dedico

como saudosa lembrança

estas

Memórias Póstumas




Prólogo da terceira edição


A primeira edição destas Memórias Póstumas de Brás Cubas foi feita aos pedaços na Revista Brasileira, pelos anos de 1880. Postas mais tarde em livro, corrigi o texto em vários lugares. Agora que tive de o rever para a terceira edição, emendei ainda alguma coisa e suprimi duas ou três dúzias de linhas. Assim composta, sai novamente à luz esta obra que alguma benevolência parece ter encontrado no público.
Capistrano de Abreu, noticiando a publicação do livro, perguntava: “As Memórias Póstumas de Brás Cubas são um romance?” Macedo Soares, em carta que me escreveu por esse tempo, recordava amigamente as Viagens na minha terra. Ao primeiro respondia já o defunto Brás Cubas (como o leitor viu e verá no prólogo dele que vai adiante) que sim e que não, que era romance para uns e não o era para outros. Quanto ao segundo, assim se explicou o finado: “Trata-se de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo.” Toda essa gente viajou: Xavier de Maistre à roda do quarto, Garret na terra dele, Sterne na terra dos outros. De Brás Cubas se pode dizer que viajou à roda da vida.
O que faz do meu Brás Cubas um autor particular é o que ele chama “rabugens de pessimismo”. Há na alma deste livro, por mais risonho que pareça, um sentimento amargo e áspero, que está longe de virde seus modelos. É taça que pode ter lavores de igual escola, mas leva outro vinho. Não digo mais para não entrar na crítica de um defunto, que se pintou a si e a outros, conforme lhe pareceu melhor e mais certo.



Machado de Assis.

AO LEITOR


Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte e, quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.
Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o primeiro remédio é fugir a um prólogo explícito e longo. O melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinário que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, e aliás desnecessário ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.
Brás Cubas.






Links


Sanderlei Silveira

Obra completa de Machado de Assis

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

O Diário de Anne Frank

Educação Infantil

Bíblia Online

História e Geografia

Casa do Sorvete

Sanderlei Silveira

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Santa Catarina - História e Geografia

Paraná - História e Geografia

Mato Grosso do Sul - História e Geografia

São Paulo - História e Geografia

Mário de Andrade - Macunaíma

Adolf Hitler - Mein Kampf

Adolf Hitler - Mein Kampf Download

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis - Esaú e Jacó

Elizabeth Barrett Browning - Sonnet 43 - How Do I Love Thee?

Revisão de Inglês em 2 Horas - Básico e Intermediário

O espaço geográfico e sua organização

Biomas brasileiros

As festas populares no estado de São Paulo

Augusto dos Anjos - Vandalismo

Gonçalves Dias - Marabá

O Diário de Anne Frank - Download

Assalto - Carlos Drummond de Andrade

Os símbolos do estado e do município (SP)

Developer - Treinamento, Manuais, Tutoriais

TOTVS - Datasul - Progress - EMS2

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas




Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas




Memórias Póstumas de Brás Cubas é um romance escrito por Machado de Assis, desenvolvido em princípio como folhetim, de março a dezembro de 1880, na Revista Brasileira, para, no ano seguinte, ser publicado como livro, pela então Tipografia Nacional.
O livro marca um tom cáustico e novo estilo na obra de Machado de Assis, bem como audácia e inovação temática no cenário literário nacional, que o fez receber, à época, resenhas estranhadas. Confessando adotar a "forma livre" de Laurence Sterne em seu Tristram Shandy (1759-67), ou de Xavier de Maistre, o autor, com Memórias Póstumas, rompe com a narração linear e objetivista de autores proeminentes da época como Flaubert e Zola para retratar o Rio de Janeiro e sua época em geral com pessimismo, ironia e indiferença — um dos fatores que fizeram com que fosse amplamente considerada a obra que iniciou o Realismo no Brasil.
Memórias Póstumas de Brás Cubas retrata a escravidão, as classes sociais, o cientificismo e o positivismo da época, chegando a criar, inclusive, uma nova filosofia, mais bem desenvolvida posteriormente em Quincas Borba (1891) — o Humanitismo, sátira à lei do mais forte. Críticos escrevem que, com esse romance, Machado de Assis precedeu elementos do Modernismo e do realismo mágico de escritores como Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, e, de fato, alguns autores chamam-na "primeira narrativa fantástica do Brasil". O livro influenciou escritores como John Barth, Donald Barthelme e Ciro dos Anjos e é notado como uma das obras mais revolucionárias e inovadoras da literatura brasileira. Mesmo depois de mais de um século de sua publicação original, ainda tem recebido inúmeros estudos e interpretações, adaptações para diversas mídias e traduções para outras línguas.


Matamos o tempo, o tempo nos enterra. "




Links


Sanderlei Silveira

Obra completa de Machado de Assis

Machado de Assis - Dom Casmurro

Machado de Assis - Quincas Borba

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

O Diário de Anne Frank

Educação Infantil

Bíblia Online

História e Geografia

Casa do Sorvete

Sanderlei Silveira

Conheça seu Estado - História e Geografia

Poesia em Português, Inglês, Espanhol e Francês

Santa Catarina - História e Geografia

Paraná - História e Geografia

Mato Grosso do Sul - História e Geografia

São Paulo - História e Geografia

Mário de Andrade - Macunaíma

Adolf Hitler - Mein Kampf

Adolf Hitler - Mein Kampf Download

Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis - Esaú e Jacó

Elizabeth Barrett Browning - Sonnet 43 - How Do I Love Thee?

Revisão de Inglês em 2 Horas - Básico e Intermediário

O espaço geográfico e sua organização

Biomas brasileiros

As festas populares no estado de São Paulo

Augusto dos Anjos - Vandalismo

Gonçalves Dias - Marabá

O Diário de Anne Frank - Download

Assalto - Carlos Drummond de Andrade

Os símbolos do estado e do município (SP)

Developer - Treinamento, Manuais, Tutoriais

TOTVS - Datasul - Progress - EMS2